Adoro essa palavra, estilo. Todos têm o seu. Mas o que influencia esse estilo? Em quem ou o quê se espelha? Qual imagem quer passar? Segundo o dicionário,
Estilo:
s.m. Maneira particular de escrever, de exprimir o pensamento: trabalhar o estilo. / Conjunto das qualidades características de uma obra, um autor, uma época: o estilo romântico, móveis de estilo. / Modo de vida; procedimento, atitude, maneira de ser: não é de seu estilo agredir quem quer que seja. / Uso, costume, hábito, modo: vestir segundo o estilo da época. / Ponteiro com que os antigos escreviam sobre tabuinhas enceradas. / Ponteiro do relógio de sol. / Botânica. Prolongamento do ovário que suporta o estigma. // Estilo internacional, arquitetura funcional, de formas cúbicas e sem ornamentos, criada por Le Corbusier, Gropius, Mies van der Rohe, por arquitetos do grupo De Stijl etc., e que foi adotada em numerosos países no decurso dos anos 1925-1945. O que se assemelha mais ao nosso interesse é modo de vida e uso, costume, hábito. Tão vendo como estilo é uma ideia construída? Para os
Estudos Culturais, toda relação nossa de cultura (e a forma como depreendemos o mundo) é mediada pela televisão, cinema, rádio, revistas – fazendo um resumo BEM geral.
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| Minha musa inspiradora |
Aí, voltemos à ideia de estilo. Música não é estilo, é gênero. Sempre escutamos/falamos qual estilo de música você gosta, como um resultado não só o gênero que você ouve, mas do estilo de vida associado a ele. O que também implica que responder samba indica um estilo, rock remete a outro. E é mesmo engraçado quando descobrem que eu escuto Metallica e Iron Maiden para me concentrar no trabalho (tão bons quanto música clássica, segundo estudos). Rola Angra e AC/DC tb, mas não vem ao caso. É que este não é o estilo que eu transpareço. Talvez me vista ou tenha interesse em coisas que sejam mais cara de MPB ou música negra
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| Black is beautiful |
Minha irmã me perguntou ontem, depois de me apontar que eu estava fazendo algo próximo ao bullying com uma pessoa (sabe aquela coisa de um grupinho colocar apelido – mesmo que não usado para se dirigir à – na pessoa por causa da aparência?, pois), o que me deixou bastante envergonhada (ah! A maldição do grupo… o povo é mesmo uma prostituta que se vende a preço baixo?), por que então e vivo recomendando às pessoas que larguem seus alisamentos. Isto porque pensei em, no final das contas, que o problema maior da vítima em questão era justamente um alisamento mal feito, que não só detonava com o cabelo, quanto não lhe dá uma textura muito natural. Sugeri que ela parasse de alisar, que provavelmente ela ficaria mais bonita com o cabelo natural (pq sim, quem tem a pele mais clara/sarará tb fica bem com cabelo crespo, não só as de pele escura).

Mas continuei com a pergunta na cabeça: pq a pessoa não deve alisar? Toda pessoa é obrigada a manter o cabelo do jeito natural? Afinal não é opressão do mesmo jeito? Fiquei pensando. A opressão é do outro lado, não? A necessidade de ser alisada, de se mesclar, se adequar… Aliás, procurando imagens, achei um blog ótimo, Ame seu Crespo, com um post sobre o óbvio:
meu cabelo não é liso e isso é ok. Mas voltando, ter o direito de alisar ou não é o que as muçulmanas chamam de a opressão do ocidente. Achamos que elas são oprimidas com a burca (e o são, vejam bem! usar roupa pra evitar estupro é coisa q nenhum animal bestial faria), mas elas enxergam nossa necessidade e limitação com tipo de roupa, com o corpo, com a aparência é um outro tipo de opressão. A ditadura da beleza está aí e é cruel. Muito cruel. E essa nossa vontade de alisar pq pode ou se sente mais bonita, é fruto dessa ditadura. Me vem à cabeça a pergunta: “ah! então quer dizer que você vai abrir mão de toda tecnologia e morar numa tribo?” Não. Mas isso não significa que toda tecnologia é boa, nos faz bem, é útil! Usamos CFC por anos. Isso quer dizer que é bom? Podemos passar sem ele, não?

Insisto no questionamento de antes: o que é essa liberdade de fazer o que quer? Se fazer o que quer pressupõe usar este ou aquele produto, mas ainda assim consumir? Usar permanente ou relaxante ou progressiva, mas ainda assim alterar o cabelo? De onde vem essa necessidade de alterar o fio? Pensando numa resposta, acho que o direito de alisar ou não os fios é muito complicada. E a adaptação a estilos que não são os nossos, também, pq são padrões de beleza que não são os nossos. Sei que já falei nisso no post da Cadivéu, querer alguns tipos de corte e textura ainda mostra um interesse em padrões e imagens/texturas que não são os nossos. Se havia uma vantagem na vida tribal é que não havia o stress imagético de uma outra mulher, com outro padrão. Acho engraçado aqueles programas com as mulheres girafas (que põem anéis no pescoço) em que eles se chocam ou acham engraçado que elas se achem mais bonitas e que achem feias mulheres sem os anéis. É a cultura deles. Mas, lembra que cultura é construído? A nossa, simplesmente, é diferente. A diferença é que, no caso deles, elas não vão dicar deprimidas e se achando ridículas por não pertencerem a este padrão branco. Nem nós devemos ficar tristes e correr para colocar argolas no pescoço.

Estou dizendo que, com isso, todas devem fazer como eu e parar de alisar? Não. Até pq, cada cabeça é um mundo e cada um sabe onde lhe aperta o calo. O meu é o meu peso (e meu joelho doente e meu joanete…). Acordar, se olhar no espelho e se achar um lixo é uma sensação horrível, que eu não recomendo a ninguém, autoestima é uma das coisas mais importantes na vida e serei eterna batalhadora da imagem positiva pessoal. Acho que todos têm direito de se verem lindos no espelho (sem com isso precisar diminuir o outro. é amor próprio de verdade, sabe?) e de se amar, se arrumar, se enfeitar (conceito inerente a toda e qualquer tribo ;), mas sem tentar ser outra pessoa. Vou morrer achando que cabelo crespo não dá trabalho (ou ao menos mais trabalho que ter que ir em salão retocar, fazer cauterização, massagem, controlar os estragos da química, etc) e que o day after não tem que ser igual, nem precisa molhar todo dia: é só aceitar a textura e a resposta do seu cabelo, ele é assim! Leiam o post que falei do
Ame seu Crespo. Sem querer se espelhar em alguém impossível. Procure modelos de amor, autoestima e perseverança em pessoas semelhantes, próximas. Nada de pensar que só as celebs podem. São justamente as “pessoas comuns” que devem te inspirar, pois passam pelos mesmos problemas que você. Também não estou, novamente, chamando ninguém de alienado. Quem lê este blog eu sei que é tudo, menos isso. Só espero, de coração, que as pessoas possam se ver lindas longe de todas estas imposições sociais. E sejam felizes pacas!