Muito comum de ouvir: ‘não corto meu cabelo curto porque meu marido/namorado não gosta’. Ou ainda: ‘se você quer namoro sério, não transa logo, vai segurando, cozinhando, dá uma valorizada…’. Essa necessidade de se adequar ao que o outro pensa ou sente sem levar em conta aquilo que você mesma quer, ou pior ainda, de como você é, é anulação. Tá, não estou dizendo, com isso, que tudo o que você faz tem que ser apenas o que te dá na telha, sem respeitar vontades ou aidna sem ceder um pouquinho. Todo relacionamento é baseado em concessões e compreensão, não em fazer só o que o outro deseja.
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No papo sobre imagem pessoal lá Maria Enfeitada, fui notando que a imagem/vestuário realmente influencia em como as pessoas percebem você. E depois, prestando atenção em pessoas ao meu em um barzinho, fiquei, eu e um amigo, observando por gestos, roupas, sapatos e bebidas, um grupo de três amigas (engraçado até pq parecia comercial com uma ruiva, uma morena e uma negra) sentadas numa mesa próxima a nossa. Deste grupo, a ruiva estava com um sapato mais formal, de salto baixo, e uma camisa de gola de padre fechada até o último botão. Apesar de seu corte curto, moderno, desfiado, bebia um suco de laranja e tinha um ar de “sem graça” – descrição do meu amigo. A morena bebia um chopp, estava com uma saia lápis e uma blusa com decote V e alguns colares. Tinha um ar mais jovial de quem pegava uma happy hour. A negra seguia o ritmo da morena. Não sei se influenciada nisso ou não, mas as duas riam e tinham um ar mais alegre, enquanto a ruiva me parecia travada.
O que isso tem a ver com anulação? Pois, me pareceu que, para compensar o corte moderno e poderoso, a mocinha se escondia e se continha com uma roupa mais careta, sem poder rir e gargalhar. Pareceu que o corte e a cor dos cabelos eram o máximo de “rebeldia” que ela se permitia, e ainda por cima, parecia se arrepender de ter cortado. Foi uma ousadia que ela não estava acostimada e a qual não sabia se tinha direito. Eu não conheço a moça. Pode não ser nada disso, mas foi o que ela transparecia, e estou usando para ilustrar meu ponto de vista. Porque eu não posso ter um corte ousado, sorir, gargalhar numa mesa de bar com minhas amigas? As pessoas ao redor olhando, com inveja ou não, realmente devem importar? Pois em outra mesa, mais embaixo, tinha um outro trio de meninas. Rindo, paquerando com o garçon, falando um monte. Daí, depois de um tempo, eu notei qeu elas me olhavam com um ar zangado. Todas as três. Juro que eu não saquei. Na mesa estavam amigo do comentário acima, mais outro, minha irmã e eu. Um grupo BEM heterogêneo composto de amigos que são ex-colegas de escola da minha irmã e, por isso, mais novos que eu. Conversamos sobre música, seriados, trabalho e faculdade, um incidente com uma cobra dentro do bar, sobre a vida e o fato de que estamos todos solteiros e sem nem um(a) peguete pra passar o tempo. Será que pareciam ser dois casais? E ainda que fosse, qual o problema? Eu uso batom colorido, uso decote quando me convém, dou risada alto quando a piada é boa, tomo mojitos e me divirto sempre que posso. E danem-se os vizinhos de bar.
Voltando ao dia da palestra, muito foi falado sobre a roupa adequada a casa ocasião. Eu concordo que há diferenças entre ser sexy e ser vulgar. Quanto menos carne você mostra, mais você consegue sensualizar. Sem ser freira, apesar de que as fantasias levam a lugares muito diversos… 😉 Mas fica, de novo, a sensação de que é preciso seguir padrões de conduta quase que religiosos para ser levada a sério. Não tou sendo hipócrita não. Sei bem que as pessoas caem em cima das mulheres para que elas fiquem bem submissas em seu papel secundário na sociedade. Mas definitivamente não é esse o mundo em que eu quero viver, logo, combaterei até o fim. O que te faz responsável e séria não são só as roupas, mas as atitudes diante do que é sério. Ambiente de trabalho definitivamente não pede short curto e chinelo. Mas o fato de você ser extrovertida e alto astral não podem te credenciar como vulgar e sem valor. Porque sim, eu posso estar a fim de relações casuais, sem compromisso, mas não quer dizer que vou permitir ser tratada como lixo! Assim como não devo me prender ao meu relacionamento se o meu parceiro é preconceituoso ou ainda tem valores que eu não acredito. Eu, por exemplo, jamais namoraria com alguém que usasse drogas ou fumasse. Não tolero e não vou me diminuir a aceitar “um tapinha de leve” só porque ele usa. Não estou dizendo, vejam bem, que eu deva mudar o rapaz. Eu devo deixá-lo! Também me seria impossível ficar com alguém para quem o sexo representasse um tabu ou que devesse ser tratado como prêmio no começo do namoro. Se os dois tem uma química legal, se gostaram, estão a fim, eu devo fingir que não quero para que ele ache que eu valho a pena? OI? Desculpa mas um cara que não consegue lidar com o fato de que mulheres podem gostar tanto ou mais de sexo do que homens para mim não merece nem que eu me dê ao trabalho.
Por fim, um assunto polêmico. Até que ponto nos arrumamos para o outro e para nós mesmos. Este, para mim, é um trabalho em construção. Sei que me maquio para mim mesma. Até porquê, mais da metade dos homens detestam maquiagem, especialmente batom. Mas me refiro aos que reclamam de gosto e de que ficam manchados. Essa história de que vermelho é cor de puta, não vem que não tem. É uma cor, se é provocante demais para vc, vá fazer terapia. Acho engraçado essa coisa de que a namorada tem qeu ser santinha, quase virginal e pura… Tá bom então. Se ela for assim sempre, não dou dois anos de casamento, a não ser que ele tenha uma que seja normal por fora… Mas aí, eu me visto em casa para o meu marido/namorado? E ele se veste para mim? Como eu já falei em outro post, acho que o esforço tem que ser dos dois lados. Se eu tou linda, cheirosa, penteada e de lingerie sexy sempre, ele vai ter que estar nos trinks pra mim também. Mas se o bofe não pdoe ver nem uma unha descancando, nem um pelinho a mais que reclama, me pergunto se ele merece mesmo esse esforço. Ele quer uma mulher verdadeira ou uma de novela/filme? E se o esforço for seu por vontade própria, só tome cuidado para não acostumar o rapaz com uma imagem irreal sua e que depois ele estranhe se num momento de doença, por exemplo, ele não te veja assim tão arrumada. Claro que, se ele ameaçar te largar por conta disso, é um favor que te faz, mas é uma questão de espectativa, entende? Acostumar a relação de uma forma que seja pesada demais para você pode levar ao colapso do que, no fundo, era só um castelo de cartas.
Pense nisso.