So. Eu ganhei um livro no sorteio do
Feminina de Dani Vidal em novembro. Chama
Homens não ouvem, Mulheres falam demais, de Jane Sanders, especialista em comunicação entre ambos os sexos. Nele ela fala das diferenças de persepção de mundo e de abordagem da linguagem. Formas de se expressar, questões hierárquicas e de relacionamento são abordados e é interessante ver como muito do que a gente reclama que os homens não estão prestando atenção ou são insensíveis é, na verdade, uma diferença muito grande de como lidar com as emoções e de como se expressar em público. O livro é tipo auto-ajuda, que eu particularmente detesto; mas acho interessante como ele pode mostrar e ensinar a ser um tico mais tolerante e a se adaptar a certas situações. É bom ver com olhos de quem está de fora situações do cotidiano e nos mostrar novos ângulos de momentos nossos. Me fez refletir um bocado.
E é dessa reflexão que vim falar hoje. Vou ser até um pouco repetitiva por que creio que já abordei esse aspecto antes, em posts sobre comportamento. Mas o que mais me “tocou” do livro foi uma parte sobre como lidar com o conflito. Devo confessar: eu sempre me achei mais “masculina”, ou com comportamentos e pensamentos mais masculinos. Me achava longe dos clichês que leio nos livros relacionados ao que seria o comportamento típico feminino. Vaidade mesmo. Sou “a garotinha do papai” e acho que aprendi muito com ele de como me comportar e talz. Então, sem falsas modéstias, sou mesmo mais fria em relação a algumas coisas. No entanto, uma coisa que é do meu comportamento (ou era, ao menos, ando tentando controlar) e que não havia me dado conta é a forma de lidar com conflitos.
Segundo a autora e eu concordo nós mulheres temos maior dificuldade de entrar em um conflito. Eu mesma sou péssima nisso. A pressão e tensão me fazem logo ficar com os olhos cheios dágua. Uma lástima! Gostaria que as pessoas entendessem que é da pressão do momento e não uma tentativa bizarra de manipulação… Anyway. Como fomos criadas para evitar confrontos diretos e manter a harmonia das relações, ou da casa, bater de frente com alguém pode ser muito estressante. Com isso, temos a tendência a não falar diretamente quando algo nos está incomodando.
Temos como chavão na literatura que, quando a mulher diz que está tudo bem na verdade ela está querendo dizer que tudo vai de mal a pior e que ela está com raiva. Realmente, o mais usual é que demonstremos nossos sentimentos pela entonação e pelo gestual e não pelas palavras que usamos. O interlocutor não é obrigado a advinhar (como eu acreditava ser) o que estamos pensando. Ele pode ou não notar a ironia. E, pior!, pode nos considerar, por isso, manipuladoras! Porque nunca dizemos o que queremos, a outra parte fica numa espécie de corda bamba, sempre tentanto agradar, sempre apreensivo de que pode ter algo errado ou não, o que leva a outro clichê: o homem nunca sabe se está mesmo tudo bem ou não. Homens, e quem tem o pensamento desta forma, precisam que as coisas sejam ditas, preto no branco.
Vejo muito desse comportamento em relacionamentos em geral. E em alguns casamentos mais especificamente. Com a idéia de que está mandando uma mensagem clara (com gestos, meneios e tom de voz), a moça na verdade está dando carta aberta ao rapaz, ou ainda deixando-o confuso. E fico pensando no quanto isso gera desgaste na relação. O quanto custa ser direto? Eu reconheço que sou enrolada para falar e sempre acho que as coisas são mais difíceis de dizer do que realmente o são. Então, nesse momento de auto-reflexão, que tal olharmos para o que temos dito de forma indireta desnecessariamente?
Porque cobrar que o namorado, noivo, amigo, ficante, ou seja lá quem for, saiba tudo o que se passa em nossas cabeças? Se nós não temos como saber o que o outro está sentindo a não ser que ele diga, o mesmo vale para nós. Certo? Pensem no tamanho dos problemas que você pode evitar falando diretamente o que quer dizer, ao invés de fazer cenas, joguinhos, mandar indiretas…