
Dar um tiro no pé é fazer o que muitas pessoas fazem em seus relacionamentos. Agem sem pensar, ou ainda, pensando que a reação do outro DEVE ser exatamente a esperada. Sabem, se você tem muito em comum com uma pessoa, se compartilham gostos e reações, isso é mágico, mesmo, mas não quer dizer que a outra pessoa reage a tudo como você, ou gosta das mesmas coisas e é compelido pelas mesmas coisas. Já caí nessa. Achava que um namoradinho (ou coisa que o valha) tinha que ter as mesmas reações que eu ao assédio das moças, só porque, como eu achava, ele não era galinha e era fiel. Ledo engano. Primeiro que nessa de ser macho alfa heteronormativo, perante os demais, vai agir como um troglodita se for necessário. Segundo que nesse caso em relação ao seu comportamento em relação às “fêmeas indefesas”, têm sim dois pesos e duas medidas. Ele vai catar todas e passar o rodo, mesmo que te faça parecer que não. É sempre engraçado conversar com dois amigos meus dos tempos que cursava Economia. Um deles é bem escrachado e sincero comigo. Se vê uma mulher bonita, ele assovia e comenta mesmo! E me fala o que ele realmente pensa em relação as coisas (ou é o que me parece). Já o outro, não sei porque, sempre me dá a entender ser um cara mais nobre (o que quer que isso seja), mais preocupado, cheio de virtudes e ideais. Mas, no fim, ele é igual a todos os caras presos no padrãozão machista. Pra quê fingir, não é mesmo?
Outra situação complexa é em relação ao ex. (Tou quase chegando no motivo do post, tenham fé!) É que, para alguns grupos, tudo bem ficar com ex de amigue. É uma coisa meio cíclica, rotativa, sei lá. Pra mim não. Ex é território que não se mexe. Até porque, pode dar muita confusão. E com tanta gente no mundo ok, nem tanto assim, tem que ser justo quem x amigue já pegou? Entendo casos de ambos se apaixonarem. Acontece, e por mais que seja meio estranho no começo, supera-se essas coisas. Mas de curtição? Fica parecendo que fez só pra sacanear. Ou é o que sempre me parece. Mas respeito quem separa as coisas. Só não pode confundir o seu pensamento sobre o assunto como senso comum.
E é aí que entra a coisa do tiro no pé. Se tem algo que você viu em livro, filme, e achou romântico, tenha certeza de só repetir o feito se x parceirx: 1- conhecer a ideia original, assim sabe sua intenção e 2- ter achado romântico como você achou. E acredite, não é porque x outrx concordou com você de forma amarela e distraída que esteja falando a verdade. Não mande carros de mensagem. Teve um caso de uma menina que mandou um carro pro colégio, tocou a música favorita dele e pediu pra ele voltar. Ele se escondeu no banheiro, não apareceu mais e, óbvio, a última coisa que ele queria era a mocinha de volta. Deve ter é pensado: “ainda bem que me livrei dessa maluca!”.
Do ex. Se ex fosse bom, era atual, não ex. Se a coisa não terminou bem, você não tem que consertar, nem ir atrás, nem implorar pela amizade da pessoa. Taque uma pá de cal em cima, curta sua dor de cotovelo, bote uma roupa bonita e grite: “próximx!”. A fila anda, baby. Entendo quem em alguns relacionamentos a relação com a família do ex é intensa. Pior ainda quando uma família frequenta a casa da outra. Festas e viagens juntas só pioram o retrospecto. Quem vem depois, fica enciumado, inseguro e se sentindo totalmente por fora. Não vai ajudar se você mantiver contato com ex. Que, aliás, você mantém por quê, mesmo? Se a pessoa demonstra que ainda gosta de você, pra que manter por perto? Pra se sentir valorizade? Por pena da criatura? Não acredito em pena. Se você mantém ex perto, é porque quer algo, nem que seja carona. A não ser que o relacionamento anterior tenha terminado de forma pacífica, por comum acordo e porque vcs viram que eram mais amigues do que namorades, não tem sentido ficar com ex perto. Ok?
E outra, cuidado com as suas tentativas de reativar o namoro. Como eu disse, pense em como o outro lado vai receber suas investidas, cartas enormes, ligações, poemas, recadinhos e afins. Bom, isso serve pro durante também, mas apliquem ao término. Esses dias recebi um email de uma moça, desesperada segundo ela, querendo o namorado de volta e pedindo para que pessoas da lista que nos correspondemos mandassem mensagens pro celular do namorado dizendo que ela o amava, que queria ele de volta. Fiquei pensando: como será que esse cara reagiu? Já tava pensando que ia ter que adivinhar quando recebo outro email dela, dizendo que agradecia aos que mandaram as mensagens, mas que tinha sido mal interpretada e que o bróder tava fulo da vida! É disso que eu falo de medir os seus atos. Como EU reagiria se recebesse mensagens anônimas? Primeiro, saberia que é obra da figura. Depois que ia ficar muito puta e mudaria de número de telefone. Sabe, a outra pessoa (ex), tá chateade, forçar a barra não vai ajudar. Jamais, sobre forma alguma, e não apenas sobre esse assunto. Converse, explique seus motivos. Peça perdão, se for o caso, explique seus motivos, pergunte o que não entendeu, se algo deu errado, e pronto! Se tiver que ser (e quiser), tudo vai voltar. Esses rompantes “românticos” funcionam mais com quem já gosta de uma plateia, um show, um drama. Curto não. MAS, se soubesse que meu namorado acha romântico que eu faça um bolo de chocolate pra ele, porque não? É para agradá-lo, não é? E não para que ele repita comigo o que eu fiz pra ele. Entende a diferença?
Resumindo, cuidado com suas ideias. O que é legal para você, pode ser um pé no saco pra quem tá contigo. Repense e veja direitinho se vai ser um grande sucesso, ou um tiro no pé.