Censo Maxibolsa 2012

Olá! Este blog é escrito há quase quatro anos e, ao chegarmos a uma constatação, resolvemos que era hora de mudar. O motivo desta enquete bem é simples: outro dia me perguntaram qual era a faixa etária das minhas leitoras. Eu não fazia ideia. Sei que existem mais de 1000 pessoas que, diariamente (ou quase isso), acessam o Maxibolsa, seja digitando o endereço, gente que encontrou a gente na busca e voltou, quem lê via feed, quem é seguidor, quem vê no twitter e no Facebook. É bastante gente! E nós queremos, cada vez mais, escrever textos que sejam do interesse de vocês. Daí que, o que queremos é que vocês respondam, rapidinho, o questionário. Não queremos nomes, email, e não precisa dar sugestão, se não quiserem. É uma forma nossa de ter um censo dos nossos leitores. Vamos, claro, publicar o resultado dessa pesquisa aqui, para vocês!

Moda masculina – Se preparando para o inverno 2012

Estou devendo um post (ou, na verdade, a regularidade deles) para os meus leitores masculinos tem um tempo! Como são todos amigos fofos, sei que não me abandonaram, e espero, a partir de agora, me redimir dessa abstenção. O Alberto, há quase um ano!, me pediu um especial com lenços masculinos. Enquanto este post não sai – preciso pesquisar as imagens direitinho! – vamos dando uma olhada em looks que eu adoro, de alguns blogs de streetwear masculina. Só um aviso: vou privilegiar looks não afetados, mas também colocarei aqui imagens para os que gostam de um visual mais Broadway (pq nem todo dia se pode sair de jeans e camiseta/camisa xadrez).
Começarei os trabalhos com o Bobby Hicks, do This Fellow – com fotos direto do Brooklyn, NY. Gosto do estilo dele por que tem alguma coisa de lúdico e ousado, mas sem dar pinta. Ele tem um estilo bem certinho, adora usar gravatas co amarração borboleta e camisas xadrez.

Como o inverno baiano não é lá grandes coisas, basta uma jaqueta jeans e já entramos no clima. Nesse look está com uma camiseta vermelha com gola V, mas também rolava com uma pólo. O legal é a combinação do jeans com o vermelho. Para fazer um visual rocker na chuva, aposte numa bota de couro.

Mais ao sul, no inverno, dá para brincar mais com os acessórios, né? O gorro bonitinho pode até ser trocado por uma boina, mas acho bonitinho assim.
Ainda falando de invernos não rigorosos, dobrar a barra da calça continua entre as atitudes estilosas. Acho ótimo que não mancha nem molha a barra da calça em dia de chuva. Dá para dobrar mais pra baixo.
Para o invernão, o sobretudo de fleece, de lã grossa ou de veludo, tudo para manter o corpo mais quentinho. O que eu mais gosto nesse é o colete + gravatinha.

Outro blogueiro, desta vez nacional, que gosto muito de ver as ideias, não necessariamente de moda, é o JC, do Eu vou assim homens. Ele escreve de Nova Iguaçu, é grafiteiro e designer. Tem muita imagem legal e uma puta referência de streetwear masculina no blogroll dele.

Na vibe de NI, o visual do JC é essa coisa skatista que trabalha com desing, sabe? Arrumadinho pq vai topar com um cliente, mas ainda assim, super (sub)urbano. No guarda-roupas dele sempre peças da C&A, Renner, Hering, Converse. No primeiro look temos um oxford nos pés. No segundo o destaque é para a calça cáqui de barra dobrada.

Dos dois looks mais inverno, no primeiro temos um cardigã masculino! Para quem acha que só mocinhas delicadas podem usar a peça, eis aí um negão black power desconstruindo essa imagem. No segundo, o casaco faz camada com a camisa xadrez. Dá pra aproveitar e brincar com a estampa da camiseta de baixo.

No blog do JC descobri o Eric D. e o Moda para Homens. Todos dois são bem acessados, super estilosos, sendo que o MpH funciona como um portal, quase, lá dentro do Vírgula. Já o Eric é um novaiorquino super estiloso.

Já tinha falado de camadas ali em cima, né? Sobreposição é super tendência de inverno. Nessa da foto está tudo liso, que tal brincar com estampas e padronagens, como xadrez e listras?

Outro cardigã. Abertinho ou fechado, tanto faz. O casaco usado sobre uma camiseta de lã ou linha ajuda a aquecer. Só não funciona em terra de garoa, que a chuvinha entra nos buraquinhos. Para esses lugares, melhor uma malha grossa ou moletom por baixo da lã.

Cachecol! Ou um lenço, para os que amam. Tem coisa mais inverno do que eles? E vejam, a calça é skinny, para ficar por dentro da bota!

A foto é de um editorial do Moda para Homens depois da SPFW

Por último falo do Estilo Cool, do baianíssimo Léo Amaral, um fofo e super estiloso, que anda um pouco desatualizado mas que vale muito como referência de moda, para quem tem interesse em história do vestuário, inspirações e muita informação. Ele tem alguns vídeos em parceria com o Portal Flavour, falando sobre o que vestir.

Gostaram, meninos? E meninas, olha aí dicas para mostra para o namorado. Não precisa ser arrumadinho, nem fashionista, é só dar uma arrumada no estilo pessoal! 😉 Beijos,

Mabia

Linha de esmaltes Luciana Gimenez by Rivka

A Rivka já tinha anunciado, em uma feira de beleza, o lançamento de uma coleção de esmaltes com a modelo e apresentadora Luciana Gimenez. Parece que a linha finalmente saiu do forno, e começa a ser vendida no dia 25/04. A linha foi batizada de “destinos incríveis”. A marca liberou as primeiras fotos e promete fazer mais amostras no blog da marca.

As cores são bem bonitas, mas não achei nada diferente das demais por aí não.Também não foi citado nenhum diferencial da linha pela marca-não por enquanto ao menos.

E por hoje é só! Curtiram?

Minnie Santos

Fotos e info retiradas do blog da marca.

Hering – coleção outono-inverno 2012

Está chegando o dia das mães e a Hering fez um vídeo bem bonitinho com a campanha deles para a data. A celebridade escolhida foi a Letícia Spiller. O vídeo é fofo e é legal vero making of de uma seção de fotos. A escolha, figurino, maquiagem, o burburinho… Para quem gosta de moda e fotografia, é uma versão organizadinha de como a coisa funfa:
Além das fotos, fui dar uma olhadinha no site da Hering o que tinha de novidade. Tem um monte de peça linda no lookbook, mas como não dá para copiar as fotos, corri na webstore para ver quais peças já estavam a venda. Vamos ver?
Blusinha de malha de estampa étnica
Blusinha de laise
Camisa xadrez inspiração masculina
Casaco de tricot perfecto
Casaquinho de lã
Saia comprida de estampa anos 1970
Vestido de viscose de estampa étnica/70’s
Adorei esse vestido, de algodão mais grossinho
Vestido de tricot vinho
Das peças que eu escolhi, o mais caro é o vestido de tricot, R$99,90. Todas as peças podem ser encontradas na loja virtual da marca. Que acharam dessa coleção?
Beijos,
Mabia

Meu processo de aceitação ao meu cabelo afro

Essa criança de pé na foto sou eu, aos 5 anos, ainda com os cabelos naturais. Bom,para quem não seja negro, ou não tenha cabelo afro/crespo/cacheado, ache o título estranho. Mas a maioria de nós tem coisas que vai descobrindo a beleza daquilo, ou a sua aceitação, com o tempo. E para a maioria das negras, ou afro descendentes de maneira geral, o cabelo seja um capítulo a parte.

E não é por menos, ou por sisma injustificada.Apesar do raciocínio que racismo é algo condenável ser consenso em nossa sociedade, não se há a compreensão completa do que é racismo : por falta de interesse pelo assunto , desconhecimento ou os dois juntos não sei.E sim, preconceito contra características étnicas de qualquer etnia é racismo também. E a noção do que é belo ou não também é algo construído.

Aí… a gente cresce ouvindo que o nosso cabelo é ruim, bom bril,feio…e amando a Xuxa na televisão, penteando o cabelo da Barbie…criando um padrão de beleza totalmente fora da nossa realidade étnica. Resultado: auto estima baixa e não aceitação.Cada um tem a sua jornada, e resolvi compartilhar a minha

Comecei a alisar o cabelo aos 6 anos, para omeu aniversário até. E apesar de hoje o mundo pensar diferente, isso era bastante comum nas negras que pertencem a mesma geração que eu-tenho 28 anos. Usei na época a famigerada pasta- é um alisamento a base de sódio fortíssimo, que hoje em dia é adotado em raríssimos salões afro. Vamos considerar que minha mãe não era profissonal e o acesso a informação e produtos não é o mesmo que hoje.


Apartir daí usei alisamento no cabelo constantemente.Com o tempo, minha mãe passou a fazer meus cabelos em casa, e passou a usar amônia. O famigerado hair life. Nunca pensei muito nessa questão dos cabelos, ou ao menos não tenho lembranças de ele provocar algum sentimento negativo em mim nessa fase. Achava estranho brincar com algumas meninas e elas usarem panos na cabeça fingindo ter cabelos longos . Mas , só. Nunca entendi porque. Minha mãe dizia que na natação eu brincava de sacudir os cabelos aproveitando que ele estava molhado-provavelmente reproduzindo inconsciente o padrão caucasiano.Mas não lembro de ter sentimentos a respeito.

Até que finalmente, chegou a adolescência. Crise de autoestima, que se refletiu nos cabelos. Comecei a usar trancinhas. E acho que aí, a noção do orgulho de ser quem é (que sempre existiu em relação a etnia), começou a se transferir para os cabelos também. Passei a me sentir mais de acordo comigo mesma. Já nessa altura, minha mãe já tinha se tornado cabelereira e fazia as tranças em mim.


Mas, ela desenvolveu hérnia de disco e não podia mais ficar as longas horas em pé trançando meu cabelo. Então, voltei para o alisamento. Crise total. Ficava totalmente insatisfeita com o meu cabelo, achava volumoso demais, sem jeito. Passei até a implicar com a minha raiz crespa. E quando isso aconteceu foi a gota dágua. Caí em mim, e vi que era ridículo implicar com uma característica étnica minha. Resolvi que pararia de alisar os cabelos, e só voltaria a fazer , caso quisesse, depois que aceitasse meu cabelo natural como era. Eu tinha 16 anos.

Não foi tranquilo.Minha mãe foi contra, não poupava críticas ao meu cabelo, e meu pai biológico que pouco se manifestou a respeito de alguma coisa na minha vida mostrou-se contra também.Ainda que de maneira bem mais polida que minha mãe. E o chocante é que foram justamente os dois que incutiram em mim o sentimento de orgulho de ser quem eu era, de que existia racismo e dificuldade sim no mundo, mas que aquilo me pararia se eu quisesse…então, porque ter orgulho da etnia e ter vergonha de alguma característica dela?Continuei.

E não é que deu certo? Eu já adorava o assunto cabelo, na verdade. Eu já tinha devorado as apostilas da minha mãe, virava as revistas dela do avesso, enchia de perguntas… e passei a gostar mais ainda. Passei a gostar de cuidar dos meus cabelos. Coisa que piorou depois que passei a ter internet decente em casa! E passei aceitar o cabelo que tinha, com o volumão, afro…me tornei confortável com isso.


Aí um belo dia, olhei no espelho e decidi que já tinha feito quase tudo. E nunca havia tido “cabelo compridão”. Resolvi que teria. Voltei a relaxar, mas dessa vez era tudo diferente. Não havia necessidade de alisar o cabelo para me sentir bonita. Eu era bonita com o cabelo afro, eu era bonita com o cabelo alisado, relaxado… a partir daí, eu mudo o cabelo por diversão(e adoro, como deu para notar!). Por que eu posso. Já voltei a relaxar, já voltei a alisar.. Mas me sinto livre. Não uso termos pejorativos para meu cabelo, não pelo politicamente correto, mas simplesmente, não encontra respaldo em mim. Daqui a dois meses, a raiz do meu cabelo vai aparecer novamente. E não vai ter neuras de retocar. Ele é o que ele é. Afro. Volumoso. De negra. Marca ancestral. Orgulhosamente.

Minnie Santos.

Obs: Quis mostrar fotos minhas de cabelo afro e relaxado aqui, mas não acho posts meus com o cabelo assim aqui, e tinha-fizemos transição para .com.br e acho que pode ter se perdido… então usei outras, com outros cabelos ao longo do tempo, só para ilustrar as mudanças. Meu pc queimou, mas se eu conseguir achar fotos, faço update no post com novas fotos.

Se preparando para o inverno 2012 – moda

O inverno vem chegando com passos largos. Aqui no Nordeste ainda não, mas no sul e no sudeste as temperaturas já começaram a cair. E neste inverno, tudo é democrático. De cor, como sempre, a Pantone mostra uma média do que se vê na rua e nas lojas agora que a temperatura está mudando. A paleta é bem diversa, com destaque para tons pastéis, tons militares como o verde e o marrom, mas, como aconteceu alguns anos, temos cores vibrantes na paleta!
Mostarda, azul petróleo, café, nude, roxo, salmão, azul claro. Além deles, o burgundy que eu já mostrei aqui no blog. De estampa, teremos pied de poule, poás (bolinhas!), animal print (especialmente píton). Tecidos? Tweed, veludo!, e couro (ou encerado, como nas leggings). Além disso, muito tricot, rendas e florais mais delicados também apareceram nas coleções para a nossa estação mais fria.

Democrático, né? Dá para todo mundo se vestir do jeito que gosta, o que é, nos últimos anos, a verdadeira tendência de moda! Nos próximos posts falo de leggings enceradas, casacos cinturados, saias e vestidos para cada tipo de corpo.
Beijos, 
Mabia

Maxibolsa nas redes sociais

Depois de muitas indas e vindas, nos rendemos ao Google Plus! Como, ao que parece, o Google está mesmo focado em fazer a sua rede social decolar, investindo em aplicações, layout e tecnologia, resolvemos nos bandear para aqueles lados também! Isso quer dizer que, quem preferir, pode nos adicionar lá na rede e ficar por dentro dos nossos posts e novidades por lá!Nosso perfil no Google Plus – Maxibolsa. Devemos montar uma página direitinho para o blog em breve. 
o perfil do maxibolsa no google plus
Nóis no Google plus
Outra rede em que vocês podem compartilhar com a gente e seguir nossos pitacos é o Pinterest! Alguns ainda não entendem bem para que ele serve. Ele funciona como um quadro de referências virtual. Como tem aplicativos para celulares e tablets, você pode carregar o seu quadro para onde estiver, o que facilita na hora de comprar aquele item desejo. Outra coisa legal é que, como ele guarda a imagem na hora, nos sites que você visita (é só instalar um aplicativo no seu navegador), você não precisa mais ficar louca tentando lembrar de onde era aquele vestido bárbaro que você viu ontem. 😉 Para nos seguir, só ir no Pinterest.
E a gente no Pinterest!
Além delas, claro, continuamos falando no Facebook e no Twitter. O que a gente quer é estar pertinho de vocês, conhecer suas dúvidas, compartilhar conhecimentos, ideias, comprinhas e coisinhas belas. Além de facilitar a vida das nossas leitoras. Assim, sempre que tivermos posts novos, algum achadinho, você vai ficar sabendo!

Beijos,
Mabia & Minnie

Fitagem – Estilizando crespos e cacheados

Não sei se vocês conhecem, mas o Lunablu é um salão especializado em cacheados, crespos e afros. Infelizmente tem apenas em Sampa. E eles divulgaram um vídeo na internet, excelente para todos os tipos de cachos,naturais ou não, um modo de estilização chamado “fitagem”. À primeira vista, dá um pouco de trabalho, mas com a prática, se faz rapidinho, e dura vários dias. E os cachos ficam bem mais bonitos e definidos. Recomendo! Muito bom para crianças também!

Espero que gostem!

Por aí: Mc Donald’s pra que?

Entrada do Schnipper’s

Sim. O título é “Mc Donald’s pra que?”. Quando você fala que vem para os Estados Unidos, todo mundo pensa que você vai comer Mc Donald’s ou Burger King todo dia e que você engordar horrores. Foi o que falaram quando vim para Nova Iorque. Mas quando você chega aqui (não no país como um todo, mas mais especificamente aqui em NY), você se depara com uma maioria de pessoas comendo outras alternativas, como saladas, sopas e sanduíches mais saudáveis (já que é comum aqui se encontrar lugares como Dean & DeLuca com Salad Bar, sanduíches naturais e sopas em um mesmo lugar).

Mas para aqueles que não resistem a uma refeição mais “junk food” e quer optar por algo um pouco melhor do que os fast foods comuns, aqui vai uma sugestão! Schnipper’s! Comi outro dia e gostei bastante. A carne de hamburguer não vem oleosa, além de vir com alface e tomate fresquinhos e gostosos. Tem opções de saladas e algumas refeições “tradicionais” daqui, como “mac & cheese” e “fish and chips”.

Cardápio

Além de ter um cardápio mais variado e gostoso do que fast food comum, o ambiente também é bem apropriado para sentar com a família ou amigos e passar um tmepinho enquanto você espera pelo seu pedido. Aliás, o seu pedido é trazido pelo garçon/garçonete através da senha que eles te dão, mas você não precisa ficar prestando atenção se eles estão gritando o número, o caixa te entrega um número que fica super visível na mesa.

Senha entregue

Mesas na área de dentro

Cozinha visível

Espero que gostem da dica!

On the road – Jack Kerouac (o manuscrito original)

Um desafio interessante. Para o clube do livro do grupo de literatura e leituras que eu participo no Facebook, o livro do mês, votado por nós, poderia ser o Pé na estrada ou O Grande Gatsby. Os dois serão lançados nos cinemas este ano. Como já li Fitzgerald, votei na lendária rota 66 e os livros de estrada/viagem. Queria conhecer essa América de que tanto falam. E embarquei nessa viagem.

Não sei se vou concordar com o Bob Dylan e dizer que esse livro mudou a minha vida, mas definitivamente, me fez entender algumas coisas sobre mim mesma.

A sinopse adaptada da L&PM sobre On the road:

Foi em 1947 que Jack Kerouac começou a pensar pela primeira vez no romance que viria a ser On the Road. Nos três anos seguintes, ele cruzou os Estados Unidos na companhia de Neal Cassady e de outros amigos. Essas viagens se tornaram a experiência formadora de Kerouac e o material bruto que seria utilizado na sua mais famosa obra. Depois de ficar enfeitiçado pelas cartas explosivas, exuberantes e cheias de incentivo que Cassady lhe enviara entre o final de 1950 e o início de 1951, Kerouac finalmente decidiu que a melhor maneira de escrever o romance seria contar a história da sua vida e contá-la ´como aconteceu´. Durante três semanas do mês de abril de 1951, ele trabalhou frenética e incessantemente (conta a lenda que sob efeito de benzedrina) em sua máquina de escrever, e o resultado foi uma versão que considerou satisfatória. Ela foi datilografada em um só longo parágrafo, com entrelinha simples, em folhas de papel vegetal mais tarde coladas umas às outras, formando um rolo de quase 37 metros de comprimento. Somente em 5 de setembro de 1957 seis anos e várias versões e correções depois a editora norte-americana Viking publicou o livro tal qual é conhecido por nós, e tal qual foi traduzido em todo o mundo.

Eis aqui, pela primeiríssima vez, a versão do manuscrito original de 1951 de On the Road. Este texto representa a expressão inicial, em toda sua força, da revolucionária estética de Kerouac, o ponto identificável no qual sua percepção temática e sua voz narrativa se uniram em uma explosão de energia criativa. Esta versão de On the Road é mais crua, mais selvagem e mais sexualmente explícita do que o romance conhecido por todos. Além disso, na versão do manuscrito original, Kerouac apresenta os personagens (inspirados nele próprio e nos seus amigos) com os nomes reais: Neal Cassady, Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Jack, o que só reforça o poderoso e íntimo imediatismo do texto.

A estrada está dentro de você

Uma biografia ficcionada, é o verdadeiro Pé na estrada. Falando de dentro de um movimento de contra-cultura, em pleno pós guerra, onde todos buscavam o sonho americano, Jack e seus amigos ousaram pensar no que havia de autêntico e pessoal em suas buscas. As viagens pelo país, em busca daquilo – que te faz viver, sonhar, querer ser e descobrir mais! – eram também buscas sobre o que se quer ser quando crescer. Entrar nos moldes da família tradicional, do comercial de margarina, que se delineava naquele período, ou encontrar o seu verdadeiro estímulo. Sou contra o uso de drogas para autoconhecimento e diversão. Sou contra o escapismo que em muitos momentos Burroughs se entrega, assim como o Allen Ginsberg. Por outro lado, a ideia de ver como o trabalhador simples lida com as coisas, ter empregos menos glamurosos, conhecer a terra… Se a sua arte se baseia em sua verve, é preciso ter contato com o povo, viver como ele, sentir…
O livro é ótimo. Feito nesse formato de rolo aí de cima, que é o original, comido pelo cachorro da ex-namorada de Kerouac, você acaba lendo-o assim, em rolo. São 5 partes, as cinco viagens de Jack, contadas saltadas, com base na memória e com um pouco de selvageria. Os diálogos, assim como algumas cenas de dança e jazz, parecem saídos em torrentes de consciência, como se o que foi dito tivesse seu impacto, mas como foi dito ter a sua própria cadência e textualidade. A verdade é que este livro me fez querer viajar – das uma de irmãos Vilas-Boas? -, de fotografar as ruas, de escrever… Desperta a urgência e necessidade de descobrir o nosso aquilo, a nossa essência, o que nos é autêntico. E desperta a vontade de comunicar. Como diz o Kerouac, gosto de gente que fala, tudo, sempre, até o final, dizendo tudo o que é preciso ser dito e o que mais se quer dizer.
o mapa de viagem do livro

Walter Salles dirigiu uma versão para o cinema, com a mocinha sem graça, songa monga de Crepúsculo na pele de Louanne, namorada porra louca de Neal Cassady e que participa de algumas das viagens. No filme tem gente boa, como o Viggo Mortensen como Bill Burroughs, Alice Braga, Steve Buscemi e Amy Adams. A previsão de estreia no Brasil é dia 15 de junho. Enquanto isso, leiam os dois livros, o Pé na estrada – adaptado e sem os nomes famosos – e On the road.

1 26 27 28 29 30 107