Blogcamp BA 2008

Tá aí um evento pelo qual eu não dava lá muita bola… não sou a mais blogueira das blogueiras, sei bem disso… Mas por insistência de Tarcízio, Ísis e Lucas, resolvi ir…

A foto aí é do final do evento, meio Salvador FotoClube, mas é legal ver a cara de pastel das pessoas, inclusive a minha, na foto…

Muita discussão interessante, sobre uso ou não de domínio, de precisar ou não de diploma pra ser jornalista, de usos da web para ganhar dinheiro… Sem contar na oficina de worpress, que me deu uma vontade…

Enfim, foi muito bom o evento. Conheci gente legal e blogs interessantes de Salvador, e que lamentavelmente eu não lia antes, mas que com certeza vou ficar de olho! ^-~

Adicionei os blogs aí nos “favoritos”, acessem com vontade!

Pra ver fotos e afins, clique aqui.

René Magritte

Ao abrir o google hj, dei de cara com a imagem a seguir:

É o aniversário de 110 anos de René Magritte, que eu conheci, sim, através do filme Thomas Crown. É a imagem do homem com a maçã no rosto, que o personagem usa durante um roubo, no final do filme.

Magritte nasceu em 1898 e morreu em 1967. Ao ser classificado de surrealista, reagiu e disse fazer uso da pintura com o objectivo de tornar visíveis os seus pensamentos. Magritte foi de facto um surrealista, mas foi também um pensador. O seu trabalho é sempre complexo e obriga ao raciocínio, à interpretação e ao estudo. Os quadros de Magritte não podem ser simplesmente vistos. Precisam ser pensados. Todo o surrealismo tem um trago de loucura que revela toda a genialidade. E Magritte é genial.

The Son of Man, 1926
É provavelmente dos quadros mais famosos de Magritte. Ele define-o desta forma: “Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos.

Olimpiadas na TV

Lê-se “olimpiádas”. E pq digo isso? Pq cansei da cobertura das tvs aos jogos. Na verdade, na cobertura como um todo, não só tv, como jornais e portais.

Explico.

Toda vez que há competições de nível internacional, competições essas que para que se tenha um brasileiro é preciso muita raça e força de vontade do mesmo já que competem sem apoio, patrocínio e com pouca infra-estrutura, o nome do país tem que ser levado à máxima, e com isso, se o pobre do atleta brasileiro sai das competições, perde a luta ou simplesmente tá num dia ruim, ele é massacrado por jornalistas, comentaristas e afins, considerado um coitadinho ou uma decepção.

Em Beijing não foi diferente. A delegação brasileira foi pros jogos com uma imensa publicidade em cima, comerciais falando de apoio, patrocínio… à quem? Boa parte dos competidores brasileiros que se classificam pra esse tipo de evento (olimpíada, pan-americano, mundial, jogos de inverno) o conseguem sem ter apoio ou dinheiro, competindo com esforço e a partir do resultado, do índice é que começa a tentar um patrocínio, pois essas viagens são custosas. Muitos falam que as vezes mesmo em ano de olimpíada – onde a “busca” por patrocinar atletas e conseguir publicidade e associação de imagem é mais intensa por parte dos empresários – é difícil de conseguir apoio.

E o que falar do poder público? Existe uma lei de incentivo ao esporte, em que parte do imposto de renda da empresa patrocinadora é disponibilizado para investir em equipes, centros de treinamentos e afins. Esse incentivo é o mesmo à cultura e compete com ela. E, ainda assim, no fim das contas é dinheiro público que vai pro esporte, certo?
Além desse, tem o dinheiro das lotéricas. Parte do dinheiro das apostas é para a manutenção do apoio estatal ao esporte. E pra onde esse dinheiro vai? Só para os clubes de futebol?

Falar em decepção, por parte dos jornalistas, é muito fácil. Eles na apóiam, incentivam, investem, nem competem. O que fazem é coletar dados de resultados anteriores e ver eles se repetindo no evento que estão cobrindo. Sem se dar ao trabalho de notar que as circunstancias são outras, as condições psicológicas são outras e a pressão, muito por conta da imprensa, é enorme. Porquê o brasileiro, que não quer nem saber o que o saltador, ou o judoca, ou o ginasta fez nos últimos anos pra sustentar seu treinamento, cobra que ele seja fenomenal nos jogos.

Torno a dizer, sem investimento e acompanhamento, não se pode exigir resultados fantásticos de ninguém.

Falou-se muito de Michael Phelps nessas olimpíadas, tanto que eu e umas amigas o apelidamos de “o brasileiro mais ilustre” (tamanha puxação de saco dos narradores pra cima do cara, chegaram a esquecer que tinha “outro” brasileiro na piscina), mas notaram a estrutura que há por trás dele? Pra começo de conversa, ele não tem que se preocupar se vai ter ou não patrocinador pra próxima temporada. E não é pelo resultado somente, mas pq nos EUA se investe em esporte. Na profissionalização do esporte. Ele faz o chamado esporte de resultado, com equipe técnica capacitada, apoio. Não só um técnico e uma piscina. E olha que a natação é um dos nossos esportes que conseguiram entrar na era das novas tecnologias. Esse tem patrocínio.

E o que dizer do futebol feminino (que não tem campeonato nacional)? Do handebol? Do tênis, basquete? E, além disso: qual o nosso trauma com os esportes individuais? A exceção da natação, nossos “esportes olímpicos” são todos coletivos; com a ressalva da Maurem Maggi (parabéns, moça!!). Será que é pq em esporte individual o investimento é o mesmo mas abrange um numero menor de pessoas? Ou pq pra atingir a excelência que tanto cobram é preciso investimento em longo prazo?

Honestamente, decepção mesmo é ver que a gente tem muito talento no Brasil, mas esse nunca tem espaço.

ps- os homens que me perdoem, mas as mulheres mandaram muito nesses jogos!!!

50 anos, 7 meses e 8 dias…

A bossa nova é o gênero musical festejado do ano. E do ano passado também. E do ano anterior… De fato, boa parte da vendagem da bossa nova atualmente, no Brasil, está atrelada aos aniversários e comemorações…

A bossa é um gênero importante pra música brasileira. Produto de exportação, é o gênero de maior aceitação lá fora e a referÊncia que os gringos têm da nossa música. Misto de samba-canção com jazz, a bossa nova é fruto da classe média carioca, criado à beira mar e reflete a vida cotidiana de seus colaboradores.

Sobre a bossa:

Nós éramos um grupo de jovens que procurava uma identidade musical, pois o que se tocava no Brasil no final dos anos 50, apesar de ser uma música bonita, bem feita, não era em absoluto uma realidade de uma geração mais solta, mais alegre, mais ligada à natureza do que a geração anterior que curtia a noite, as boates, os amores sofridos e cuja música refletia essas situações de seu dia-a-dia.

Ouvíamos e tocávamos sambas-canções que diziam: “Sei que falam de mim, sei que zombam de mim, ó Deus, como sou infeliz”, ou “Se eu morresse amanhã de manhã, não faria falta a ninguém”, ou “Garçom apague essa luz que eu quero ficar sozinho, garçom me deixe comigo que a mágoa que eu tenho é só minha”.

Imaginem nós, com 20 anos de idade, cantando todo esse sofrimento!

Passamos então a criar um outro universo mais leve e mais otimista na maioria das vezes, como: “Era uma vez um lobo mau que resolveu jantar alguém”, ou “Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver”, ou “Dia de luz, festa de sol, e um barquinho a deslizar no macio azul do mar”. Todas essas mensagens vinham acompanhadas de uma música que era uma fusão de tudo que ouvíamos, como samba-canção, samba, bolero, jazz e muito musical norte-americano que passava sempre nos cinemas Metro. Essa fusão de melodias e harmonias veio embalada por uma batida que ficou famosa como “a batida da Bossa Nova” que todo mundo queria aprender, aliás, todo “O Mundo”.

Nossa música, que sofreu essas influências que enumerei, viria, pouco mais tarde, a influenciar compositores, músicos e arranjadores do mundo inteiro.

Para mim, música é isso, uma coisa em eterna transformação, mutante e recebendo influências (boas) de todos os lados, pois se ela tentar se manter totalmente fiel às suas origens, tenderá a se extingüir, dando lugar a outras formas. A Bossa Nova está aí há 50 anos com sua forte personalidade, mas com novas harmonias, melodias mais arrojadas, e até a célebre batida da Bossa Nova hoje tem uma série de variações.

Poucos anos atrás, ou seja, no final do século passado, na Europa e Japão, principalmente, começou um movimento de uma música mais dançante, ligado à Bossa Nova, fazendo uma fusão com a música eletrônica e DJs. Com isto, compositores vários da Bossa, como Joyce, Marcos Valle, Jobim, etc., tiveram suas músicas regravadas e lançadas nessa nova onda, fazendo com que milhões de jovens saíssem dançando e cantando canções compostas há mais de 40 anos, como se fossem feitas para eles hoje em dia. Claro que tem muita coisa ruim sendo feita para aproveitar essa “onda”, mas também tem muita coisa legal.

Bebel Gilberto, filha de Miúcha e João Gilberto, fez sucesso mundial com sua Nova Bossa, Marcos Valle e Joyce têm feito shows pelo mundo inteiro com suas Bossas revalorizadas, eu mesmo participei de algumas viagens com o grupo Bossa Cuca Nova fazendo shows em festivais com público de mais de 200 mil pessoas, coisa que a Bossa Nova tradicional nunca poderia ter alcançando com a intimidade de sua música.

Hoje podemos ter uma convivência pacífica entre a Bossa tradicional e a atual e acho isso super benéfico para as duas formas.

Não tínhamos a menor noção de que nossa música, nascida no final dos anos de 1950, continuasse com o vigor que tem hoje, 50 anos depois…

E se a deixarmos caminhar por aí se juntando às boas coisas que forem aparecendo, garanto que ela chegará a mais 50 anos. Quem sabe a gente ainda verá isso acontecer!

Texto de Roberto Menescal, originalmente publicado no Livro-agenda 2008 ― 50 anos de Bossa Nova.

Verdade seja dita, o gênero, como disse, sobrevive também desses shows e dessa reinvenção ou “nova roupagem” dada pelas cantoras da nova geração. Considerada a origem da moderna música popular brasileira, é referência pro samba e pra música em geral que foi produzida aqui depois do “fenômeno”. Nem de protesto nem alienada, é “música de qualidade”, que soube unir o que tinha de melhor no Brasil e dar uma roupagem alegre e universal.

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